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segunda-feira, 1 de maio de 2017

A ARTE E A MORTE - Por Nicéas Romeo Zanchett

Obra Juízo Final. 

                 Em toda a história da humanidade a arte sempre foi utilizada para registrar a morte. 
                 Nas imagens do inferno a arte é utilizada para mostrar o terror, capaz de aprisionar o coração e a mente do povo. 
                  A dois mil e quinhentos anos o povo Etrusco - Itália- utilizada a arte para transmitir mensagens reconfortantes de uma vida eterna. A morte era a prazerosa esperança de uma nova vida. Os túmulos encontrados nas escavações mostram imagens reconfortantes de uma vida eterna. Mostram também, contraditoriamente, imagens de demônios com personagens estranhas apoderando-se dos corpos, provavelmente de malfeitores. 
                 No Egito antigo, os túmulos dos Faraós são um exemplo muito conhecido do uso da arte na vida e na morte. 
                 O que é importante observar é que a arte sempre foi utilizada para dominar a mente. Ons nazistas usavam um crânio e dois ossos cruzados; o s Astecas construíam pirâmides mostrando várias camadas sociais com esculturas de crânios que registram a história de sacrifícios humanos. 
                  Jesus Cristo pregado na cruz é o símbolo mais poderoso e mais intenso que mostra o horror da morte e ao mesmo tempo a esperança na salvação e vida eterna. Duas formas opostas: dor, sofrimento e a confortante subida aos céus. As obras de El Greco e Botticelli estão repletas de imagens mensageiras que mostram estas condições de maneira genial. 
                  A igreja cristã sempre soube utilizar bem a arte para dominar a mente humana. Outras igrejas que a imitam ou a seguem também utilizam a arte para pregar suas crenças. 

Nicéas Romeo Zanchett 
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sábado, 12 de março de 2016

PICASSO E SUAS GRAVURAS Por Nicéas Romeo Zanchett

Descanso da Modelo.
Obra de Picasso. 

              Uma das grandes paixões de Picasso era o desenho e gravuras. Sempre foi um ativo participante de movimentos poéticos. Teve a felicidade de viver numa época de efervescência cultural francesa.  Convivia com artistas que buscam algo de novo nas artes. Fez parte da Sociedade dos pintores-Gravadores e chegou a revolucionar a técnica de gravação em borracha. Pode-se até dizer que foi esta sociedade que fez a gravura renascer. 
               Tal como aconteceu com Matisse, Braque e Manet, Picasso foi um dos responsáveis pela revitalização da gravura no início do século XX. Na década de 30, fez uma série de 300 gravuras para livros de poesia editados por Ambroise Vollard. Também criou uma série de gravuras para um catálogo de espécie de animais editado na França por Le Bouffon. 
               O trabalho do artista como gravador sempre foi muito impulsivo. Sua técnica era despojada e, de forma criativa, gostava de experimentar coisas diferente. Registrou todas as fases de sua carreira em gravuras e era um adepto da técnica de água-forte. 
               Goia e Rembrandt foram grandes gravadores, mas a obra do artista espanhol não deixa nada a dever. 
               A gravura é uma arte que tem vida própria. Não é apenas uma reprodução de desenhos. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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Veja também >  OBRAS DE PICASSO
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COMO JULGAR UMA PINTURA Por Nicéas Romeo Zanchett


Pintura acrílica de 
Nicéas Romeo Zanchett 

                a) Não se pode julgar uma obra sem primeiro olha-la atentamente. Observe cada detalhe sem se preocupar com o assunto que ela representa. Uma prolongada observação poderá indicar-lhe como a obra foi concebida. 
                b) Não condene uma obra só pelo fato de nunca ter visto algo assim. A pintura é sempre uma criação e portanto o artista tem o direito de abstrair-se da realidade imediata. Um bom exemplo são as obras cubistas de |Picasso. Muitos odeiam e outros amam e muitos outros não as entendem. Mas, geralmente são oras criadas com muito talento e, portanto, de qualidade. Você pode gostar ou não, mas não pode julgá-la como ruim pelo fato do artista ter usado a cor verde ou outra para pintar uma mulher. 
                c) Um bom tema não é suficiente para uma boa pintura, mas uma boa pintura torna bom qualquer tema. Uma natureza morta pode ser tão boa quanto um nu feminino ou uma paisagem. 
Paisagem de Van Gogh 
                d) Não fique o tempo todo interrogando o que quer dizer isso ou aquilo. Uma obra de arte é como uma sinfonia. Ao ouvir uma bela música você a sente penetrar e atingir suas emoções. Pode gostar ou não. Muitos não gostam das obras clássicas, mas isto não desmerece sua qualidade. Com uma boa pintura acontece a mesma coisa.  A linguagem da música são os sons e da pintura são as cores e formas. 
                e) Gostar ou não gostar de determinada obra não é a questão. Sendo a pintura uma linguagem de comunicação visual, cabe a ela comunicar-se com você, não você com ela. . Portanto deixe que a pintura o absorva e atinja seus sentidos. 
                f) Cada estilo de pintura tem linhas próprias de comunicação. Ao observar as linhas de sua composição verifique se elas se desenvolvem sem muitos acidentes ou se, pelo contrário, são extremamente acidentadas. 
                g) Quando temos uma pintura de estilo coerente, às linhas calmas sucedem-se cores límpidas e espalhadas regularmente na tela. Cores violentamente contrastadas são de linhas acidentais. Isto pode das uma noção do estado de espírito do artista ao concebê-la. Um bom exemplo a ser observado são as obras de Van Gogh em suas diversas fazes. 
                 h) Se na obra houver o "claro-escuro" observe seu equilíbrio. O claro escuro é o artifício utilizado pelos artistas conscientes para dar a sensação de terceira dimensão. Ao claro corresponde a parte que se encontra na luz e ao escuro o lado da sombra. Daí a importância do equilíbrio entre os dois. Em pintores ou estilo que preferem as cores e linhas serenas, geralmente o claro-escuro é pouco visível, e essas pinturas parecem ter pouca profundidade. Isto é normal e, portanto, não desqualifica a pintura. 
Obra de Romeo Zanchett 

Obra de Romeo Zanchett 

Ouro Preto - MG.
             i) É a atenta observação da obra que lhe dirá se o artista deu mais valor aos volumes ou se preferiu dar mais ênfase à cor. No primeiro caso teríamos uma pintura de valores escultóricos e no segundo teríamos uma pintura de vários cromáticos. Diante de uma pintura de valores escultóricos não se pode exibir cores violentas. Da mesma forma, não se pode incriminar um pintor de obras com valores cromáticos por não dar volume às suas figuras. Cada pintura tem sua essência que pode ser criativa ou não. 
              j) Cada época e cada indivíduo tem seu estilo característico. Seria absurdo imaginar todos pintando da mesma forma. Isto acontecia nas obras do antigo Egito que eram copiadas indefinidamente. Se fosse assim não seria arte, criação individual. Se Picasso pintasse como Rafael, um "Picasso" não seria um "Picasso". Cada artista reflete seu próprio mundo, sua época e, portanto, impossível de ser imitado. 
             k) Os artistas sofrem influência de outros artistas. Trezentos anos depois de Rafael Sânzio, Ingres sofreu sua influência ao pintar o rosto de uma moça do século XIX. Ao pintar a nova Madona, Ingres buscou inspiração na pintura renascentista. Isto tudo é muito comum em toda a história da arte. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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veja também 

  

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A ARTE DE MUNCH


Edvard Munch 
Por Nicéas Romeo Zanchett
             Edvard Munch, filho de um médico, nasceu em Löyten, ao norte de Cristiânia, atual Oslo, no dia 12 de dezembro de 1863. Em 1868, com o falecimento da mãe, a tia Karen Bölstad se encarregou de sua educação e iniciação artística. 
             Sua primeira e breve viagem a Paris deu-se em 1885. Na volta, passa uma temporada em Asgaard, na costa de Fiordes da Noruega. 
             Em 1884, Munch expõe sua obra "Madrugada, que refletia certa influência impressionista. Nesta época sua obra voltava-se para diversas áreas de experiência pictórica. O artista buscava seu estilo em diversas formas de expressão. 
             Em 1889 retornou a Paris, onde permaneceu por quatro meses. Foi nessa ocasião que teve contato com os impressionistas e pós-impressionistas. Ficou muito interessado nos trabalhos de Manet, Degas e principalmente Van Gogh. 
             
           Em 1892, já com 29 anos, expõe seu "painel da vida" em Berlim, onde integrou a Secessão local, formada após o fechamento compulsório da mostra. Sexo e angústia são os temas mais salientes desta obra, onde os rostos se tornam lineares, sem uma expressão concludente, e o corpo humano também se sintetiza num traço, um arco de prostração física ou mental. Não é mais um ambiente neutro, mas um prolongamento psíquico do homem, onde a própria paisagem assimila o desespero dos personagens. Nesta ocasião conheceu o colecionador Kollmann, o dramaturgo sueco Strindberg e o pintor polonês Przybyszewski, que lhe dedica um ensaio intitulado "A Obra de Edvard Munch". 
          Em 1894 inicia uma série de gravuras, seguida de litografias. Suas silogravuras apresentam grande influência da obra de Toulouse Lautrec. Nesta época, em Paris, sua obra ainda passava quase despercebida, mas na Alemanha já encontrava grande ressonância. O renovador do teatro berlinense Max Reinhardt confia-lhe os cenários de sua montagem da peça "Os Espectros" de Ibsen que estreou em 1906,
           Completou seus estudos de arte gráfica em paris, principalmente com August Clot.


           Em 1902, em Berlin conheceu Max Linde, que viria a tornar-se seu amigo e mecenas. 


           Em 1906 fixa residência em Weimar, junto ao Conde Keesler, onde faz amizade com Van de Velde e com a irmã do filósofo alemão Nietzche, cujos conhecimentos influenciaram grande parte de sua obra. Na mesma ocasião pinta o seu "Retrato Ideal".  



                Sua primeira crise nervosa ocorreu em 1908. Foi internado na clínica do Dr. Jacobson Copenhaga durante oito meses. O diagnóstico foi uma profunda depressão psíquica. Após estar curado passa a pintar obras mais otimistas, começando com um mural para a Universidade de Oslo. 

                A partir de 1910, Munch passa a viver retirado no campo, primeiro em Ramme, perto de Huitseten, depois fixa residência em Sköten, perto de Oslo. 
                Em 1912 expõe na cidade de Colônia (Alemanha), onde teve grande apoio e repercussão consagradora. Na famosa exposição Sonderbund de Colônia, que oferecia uma visão de conjunto de tendências mais importantes da arte, Munch teve à sua disposição uma sala individual como homenagem a um dos pintores que mais importância tivera para o desenvolvimento da arte nova.
                Em 1916, em busca de tranquilidade e novas inspirações, muda-se para a granja Ekley, em Sköten, nas proximidades de Oslo.  
                No período da Segunda Guerra Mundial, em 1937 é denunciado pelos nazistas que consideraram seu trabalho como "arte degenerada" e então teve algumas obras confiscadas. 
               Com a Noruega sob ocupação alemã, em 1940, se recusa  a aceitar um cargo honorífico oficial. 
               Após executar uma série de auto retratos, falece solitário em Sköyen no dia 23 de janeiro de 1944. 
               Edward Munch é a primeira contribuição da Escandinávia à pintura européia. Sua primeira fase se insere na corrente internacional do Naturalismo. 
               O Expressionismo alemão reconhecia em Munch um de seus legítimos precursores. Uma gravura em cores, "O Grito" é a bandeira desse movimento. Ele centraliza o rosto do homem como fonte de sons e ondas de cor, que se dilatam concentricamente no ar, espalhando o sentimento trágico da vida  e a sensação de catástrofe iminente. Muitas de suas obras isolarão uma só figura num ambiente envolvente. Edward Munch deu à cidade de Oslo todo o seu legado artístico, que se compunha de 1.200 pinturas, 7.500 desenhos, 18.000 trabalhos  gráficos e seis esculturas, além de documentos e escritos, material que se expõe, quase na sua totalidade, no Museu Munch (Munch Museet) da capital norueguesa. 
               Em 2 de maio de 2012, sua obra "O Grito" foi leiloada pelo valor de U$ 107.000.000 (cento e sete milhões de dólares) O dinheiro, segundo promessa, será investido no museu que leva seu nome. 
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Nicéas Romeo Zanchett 




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

VAN GOGH - O GÊNIO HOLANDÊS Por Nicéas Romeo Zanchett


                Vincent Van Gogh foi um dos mais geniais e angustiados artistas da história da humanidade. Em vida não conseguia vender suas obras e com sua morte se transformou na mais poderosa lenda de sofrimento e transcendência da arte moderna. 
                 Foi no dia 23 de dezembro de 1888 (véspera de natal) que o pintor expressionista holandês Vincent Van Gogh (1853 - 1890) sofreu sua primeira grave crise psiquiátrica que o levou a cortar o lóbulo da orelha esquerda e, em seguida, ser hospitalizado numa clínica na cidade francesa de Arles. O surto eclodiu pouco depois de uma briga entre ele e o seu amigo Poul Gauguin, artista francês. 
                 Do trágico episódio e internação sabe-se que Gauguin deixou o amigo, com quem morava, ao temer o seu temperamento agressivo e estava se dirigindo a um hotel quando Van Gogh o abordou e ameaçou com uma navalha em punho. 
                 Em seu depoimento, Gauguin disse: - " O meu olhar naquele momento deve ter sido poderoso porque ele baixou a cabeça e seguiu em direção à sua casa". 
                 No livro de registros da polícia de Arles consta que, naquela madrugada, Van Gogh foi a um bordel, chamou a cortesã Raquel, entregou-lhe a parte amputada de sua orelha e lhe disse: "Guarde isso com muito cuidado", partindo em seguida. Mais tarde a polícia o socorreu em sua residência. 
                 A partir desse fatídico Natal, Van Gogh teria muitas crises, mas produziria centenas de telas e desenhos. Muitas dessas telas aparecem esboçadas em cartas ao irmão Theo. Foi nesse período que o pintor criou as primeiras versões de "Girassóis", "O Semeador" e "O quarto de Arles". Em suas cartas contava ao irmão, com desenhos e comentários, sobre suas inspirações artísticas e literárias. Aproveitava e expressava opiniões críticas em relação ao trabalho de outros pintores. Criticava também  os pintores renascentistas com comentários como: "O que Rubens sabia fazer é retratar,  à perfeição, uma rainha ou u estadista". Van Gogh não apreciava o realismo excessivo de alguns trabalhos do famoso pintor Peter Paul Rubens. 


               A última carta escrita por ele ao irmão Theo data de 27 de julho de 1890 e foi encontrada no bolso de sua calça quando de seu suicídio com um tiro no peito.  Nela Van Gogh refletia sobre seu trabalho com cores , falava dos campos de trigo e dos belos dias de sol que vinham fazendo em Arles.  Três meses depois, vítima da sífilis, seu irmão Theo morreria também.
               Van Gogh sempre registrava suas percepções produzindo algum desenho. Interessava-se por praticamente tudo à sua volta. Suas grandes obras refletem seu estado de espírito que recebia influência do local onde estava vivendo. Quanto mais tempo passava na Provença, mais perto ele achava que havia penetrado na sua "essência"; suas cores vivas e ternas e, às vezes, formas violentamente modeladas, sua antiguidade arcaica e acima de tudo, sua luz. Em Arles, o choque inicial da paisagem, dominada pelas cores amarelo limão e amarelo cromo, comandava sua palheta.  Mas, uma vez dentro do manicômio de Saint-Rémy, adquiriu um modo diferente e reflexivo de ver a paisagem à sua volta. Pode-se, talvez, ligar essa ânsia de estabilização ao receio que tinha de sua própria doença. Naquela época não havia recursos para diagnósticos precisos, mas, ao que tudo indica, ele sofria de epilepsia complicada pela sífilis. Falando sobre o sentimento em relação á sua arte, assim se expressou: " Com o que mais sonho nos meus melhores momentos não são os efeitos marcantes das cores como, mais uma vez, os meio-tons". 
               A cor mais tranquila e a crescente propensão para estruturar o seu trabalho como um processo de pesquisa sequencial, dentro de um dado motivo, parece que tinham para ele um fim esconjuratório, que mantinham distantes os demônios do inconsciente. 
                Uma mania que acompanhou Van Gogh por toda a sua vida era estar sempre escrevendo suas cartas, onde registrava seu pensamento com ilustrações. Interessante é observar  que suas cartas no hospício eram despidas do menor traço de autopiedade. Ele qualificou e catalogou suas obras e, assim, facilitou o trabalho dos historiadores. Em outubro de 1889 ele resumiu a relação entre suas pinturas e sua enfermidade numa única metáfora penetrante: "Estou me sentindo bem agora... No sentido estrito, não estou louco, pois minha mente se mostra muito normal nos intervalos, e mais ainda do que antes.  Mas durante os ataques, tudo é terrível e estão perco a consciência de tudo. Mas isso me incentiva ao trabalho e à seriedade, como um mineiro que, sempre em perigo, se apressa no que faz". 
                Quando não estava em surto epiléptico, Van Gogh trabalhava com muita responsabilidade e seriedade.  Não era apenas um louco jorrando jatos orgásticos de amarelo e azul sobre uma tela. Era verdadeiro Van Gogh de Saint-Rémy e Auvers. 
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Nicéas Romeo Zanchett 
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