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sábado, 20 de abril de 2013

ARISTÓTELES - O GRANDE SÁBIO GREGO


ARISTÓTELES - O GRANDE SÁBIO GREGO
Por Nicéas Romeo Zanchett 
         Aristóteles, discípulo de Platão e um dos maiores sábios de todos os tempos, nasceu em 384 a.C. 
          Por mais de vinte anos Aristóteles seguiu os ensinamentos do seu mestre Platão cuja doutrina se exerce mais sobre as coisas espirituais, sobre o mundo das idéias; ao passo que Aristóteles, depois de libertar sua filosofia dos princípios do mestre, direciona seu pensamento para doutrinas que tratam principalmente da natureza e das coisas inteligíveis do mundo. Tal como seu mestre foi um grande pensador grego e costumava dar as suas lições numa escola perto de Atenas. 
          Aristóteles foi sobretudo um sábio de primeira ordem. Quiz abranger a totalidade dos conhecimentos do seu tempo, e conseguiu-o, porque naquela época isso ainda era possível. A matemática foi a única ciência, conhecida dos antigos, que ele não tratou com profundidade. As suas obras foram uma verdadeira enciclopédia  do saber humano no século IV antes de Cristo. No seu tempo, tudo o que se podia saber ele soube. E muita coisa que não se sabia, ele descobriu e ensinou. Foi o fundador da anatomia e da fisiologia comparadas.

         Foi o principal discípulo de Platão, e como tal, honrou verdadeiramente seu mestre. Mas não se limitou a repetir seu ensino; criticou-o e ultrapassou-o. Seu enorme saber, sua grande inteligência e suas lições tornaram-se tão apreciadas que rei da Macedônia  escolheu- para ser o preceptor de seu filho que mais tarde viria a ser o grande Alexandre  Magno, um dos maiores generais e mais poderosos imperadores de todos os tempos. Em Atenas fundou uma escola no Lyceu. Como mestre de Alexandre Magno - o grande, pode influenciar seu pensamento e sua trajetória política. 
           Em relação à espiritualidade, Aristóteles defendeu a ideia de um Deus, que em toda a eternidade deu movimento à matéria. Acusado de não crer na religião da sua pátria, foi obrigado abandonar a cidade e a refugiar-se na ilha de Eubéa, onde morreu em 322, provavelmente depois de ter se envenenado. 
Durante muito tempo Aristóteles foi o oráculo da filosofia, e quando, no século XVI, alguns pensadores decidiram livrar-se da sua tutela, isso correspondeu a uma verdadeira revolução. Era uma nova era que surgia no mundo. O pensamento desse homem que criou a ciência filosófica foi tão assombroso que por vinte séculos foi seguido, estudado e copiado como se fosse uma religião. 
         .
Nicéas Romeo Zanchett 

quinta-feira, 28 de março de 2013

COMO SE DEVE FAZER UMA TRAGÉDIA - Por Aristóteles

                                                                                   
Uma aula com Aristóteles.

                COMO SE DEVE FAZER UMA TRAGÉDIA - Por Aristóteles

                                                 DOS CARACTERES
   Como a constituição das tragedias mais belas não há de ser simples, mas implexa, e há de ser além disso imitadora de coisas que excitem o terror e a compaixão, porque isto é próprio deste gênero de imitação; segue-se, evidentemente, que nem devem introduzir-se homens muito bons e justos, que passem da fortuna para a desgraça, porque isto não é terrível, nem digno de compaixão, mas sim abominável; nem também homens maus, que passem da desgraça para a fortuna, pois que não há coisa menos trágica, porque lhe faltam todos os requisitos que deve ter a tragédia. Porquanto não é conforme os sentidos da humanidade, nem excita compaixão e terror. 
    Finalmente, também um homem muito mau não deve voltar da felicidade para a infelicidade; porque esta composição, bem que fosse conforme os sentimentos da humanidade, não produzia, contudo, compaixão nem terror;  porque a compaixão tem lugar a respeito do que é infeliz sem o merecer; e o terror a respeito do nosso semelhante desgraçado. Pelo que, neste caso, o que acontece nem parece terrível, nem digno de compaixão. 
    Resta pois o homem que está no meio destes extremos.  Este, é aquele que nem se distingue muito pela virtude e justiça, nem também cai em desgraça pela sua malícia própria, mas sim por algum erro, ou defeito. E há de ser alguma personagem das que estão em glória e felicidade, como Édipo, Thiestes e outros homens ilustres de semelhantes famílias. 
     É pois necessário que uma fábula bem constituída seja antes simples, do que composta, como alguns querem, e que a mudança não seja da desgraça para a fortuna, mas, pelo contrário, da fortuna para a desgraça; e finalmente, que não aconteça por maldade, mas por erro ou defeito grande de alguma pessoa, que seja tal qual dissemos; ou quando não, que antes propenda para melhor, do que para pior.
Isto se prova com a experiência; porque antigamente serviam-se os poetas de quaisquer fábulas, que encontravam; mas hoje as mais belas tragédias tomam o seu assunto de um pequeno número de famílias, como são as de Alcmeon, de Édipo, de Orestes, de Meleagro, de Thiestes, de Telefo, e de quaisquer outros que obraram ou padeceram coisas terríveis. 
     A mais bela tragédia, segundo as regras da arte, é aquela que for composta por este modo. Por isso erram os que culpam Eurípedes por observar estas regras nas suas tragédias, e por dar a muitas delas um êxito infeliz, pois que isto é o que deve ser, como já dissemos.
    A prova mais evidente, é que as tragédias deste gênero parecem as mais trágicas de todas, tanto no teatro como nos certames, se forem bem executadas. E o mesmo Eurípedes, posto que não disponha  bem outras coisas, parece, contudo, ser o mais trágico de todos os poetas.
     Segundo gênero de constituição das fábulas (que alguns põem em primeiro lugar), é o que tem uma constituição composta, como a Odisseia, e que se conclui por um modo contrário ao primeiro, tanto a respeito dos homens bons, como dos maus.   
    Julgou-se que esta merecia o primeiro lugar por imperícia dos teatros, porque os poetas se acomodaram a ela, compondo à vontade e sabor dos espectadores. Porém, o prazer que resulta deste gênero  de composição, é muito mais próprio da comédia que da tragédia; porque nela os que são na fábula inimicíssimos, como Orestes e Egistho, se tornaram por fim amigos, e nenhum deles é morto pelo outro.  

                    DE ONDE DEVE NASCER O TERROR E A COMPAIXÃO
      Pode, pois, excitar-se o terror e a compaixão pelo aparato da cena, e também pelo mesmo contexto das coisas,  o que tem o primeiro lugar, e é na verdade de melhor poeta. 
      Porquanto uma fábula deve estar composta de tal maneira, que quem ouvir as coisas que vão acontecendo, ainda que nada veja, só pelos sucessos se horrorize e se compadeça, como experimentará quem ouvir a tragédia de Édipo. 
     Ora, querer conseguir isto pelo espetáculo, é coisa para que não concorre a arte do poeta, e que depende do aparato e do custo da cena. 
    Também se desviam inteiramente da tragédia os que nos oferecem em espetáculo,não coisas terríveis, mas monstruosas; porque não se há de procurar indistintamente na tragédia qualquer gênero de prazer, porém, somente o que é próprio dela. 
     Como pois o poeta deve por meio da imitação preparar-nos aquele prazer, que nasce da compaixão e do terror, segue-se evidentemente, que ele há de se valer para isso das coisas que representa.


BREVEMENTE CONTINUAÇÃO.